sexta-feira, 27 de março de 2026

Vocabulário da RPDC: Ontem e Hoje — 그루지야, 리뜨바, 라뜨비야, 에스또니야 e 몰도바

Os nomes de países em coreano (조선어) não sofrem influência apenas do hanja ou do inglês, mas também do russo.

É verdade que muitos nomes baseados no chinês deram lugar a formas inspiradas no inglês ou na pronúncia nativa do país em questão. No entanto, no caso de alguns países da antiga URSS, o padrão adotado foi o russo.

Antes de prosseguir, vale destacar que Rússia é “Rossiya” (로씨야), baseado no russo “Rossiya” (Россия), enquanto, na República da Coreia, utiliza-se “Rosia” (러시아), forma baseada no inglês “Russia”.

A seguir, os casos de Geórgia, Lituânia, Letônia, Estônia e Moldávia:

Geórgia — Kurujiya (그루지야)
A Geórgia é grafada como “Kurujiya”, com base no russo “Gruziya” (Грузия), em vez do georgiano “Sakartvelo” (საქართველო). Caso se baseasse na língua nativa, seria algo como “Sakharuthubelo” (사카르트벨로). Na República da Coreia, utiliza-se “Jojia” (조지아), baseado no inglês “Georgia”.

Lituânia — Rittuba (리뜨바)
A Lituânia é grafada como “Rittuba”, com base no russo “Litva” (Литва), em vez do lituano “Lietuva”. Caso se baseasse na língua nativa, seria algo como “Riethuba” (리에투바). Na República da Coreia, utiliza-se “Rithuania” (리투아니아), do inglês “Lithuania”.

Letônia — Rattubiya (라뜨비야)
A Letônia é grafada como “Rattubiya”, com base no russo “Latviya” (Латвия), em vez do letão “Latvija”, embora a escrita e a pronúncia das duas línguas sejam semelhantes. Uma forma mais próxima do letão seria “Rathubiya” (라뜨비야). Na República da Coreia, utiliza-se “Rathubia” (라트비아), baseada no inglês “Latvia”.

Estônia — Esuttoniya (에스또니야)
A Estônia é grafada como “Esuttoniya”, com base no russo “Estoniya” (Эстония), em vez do estoniano “Eesti”. Caso se baseasse na língua nativa, seriam possíveis formas como “Esuthi” (에스티) ou “Esutti” (에스띠); pelo padrão nortenho, provavelmente a segunda. Na República da Coreia, utiliza-se “Esuthonia” (에스토니아), derivada do inglês “Estonia”.

Moldávia — Moldoba (몰도바)
A Moldávia é grafada como “Moldoba”, possivelmente com base tanto no russo (Молдова) quanto no romeno (ou moldavo) “Moldova”, cujas pronúncias são muito semelhantes. Nesse caso, não é possível afirmar com certeza se a forma deriva diretamente do russo. Na República da Coreia, utiliza-se “Moldabia” (몰다비아), baseada no inglês “Moldavia”.

Vocabulário da RPDC: Ontem e Hoje — 이태리 e 이딸리아


Trata-se de mais um caso de nome de país europeu baseado no hanja que foi modificado, em meados da década de 1960, para uma forma que imita a pronúncia nativa.

Inicialmente, utilizava-se “Itaeri”, derivado do hanja “Yītàilì” (伊太利). No entanto, já na década de 1960, adotou-se a forma atual “Ittalia” (이딸리아), baseada na pronúncia italiana de “Italia”. Por outro lado, na República da Coreia, utiliza-se “Ithalia” (이탈리아), também como uma tentativa de imitação da pronúncia nativa, já que, se fosse baseada no inglês “Italy”, a forma seria “Itholi” (이털리).

Esse caso serve como um bom exemplo das diferenças de interpretação da pronúncia de línguas estrangeiras entre o Norte e o Sul. “Ittalia” (이딸리아) apareceu pela primeira vez no Anuário Central na edição de 1965.


Vocabulário da RPDC: Ontem e Hoje — 서서 e 스위스

Trata-se de mais uma mudança no nome de um país europeu, ocorrida em meados da década de 1960, com o abandono de uma forma derivada do chinês em favor de um nome baseado na pronúncia inglesa.

Inicialmente, utilizava-se “Soso” (서서), derivado do hanja (瑞西), com influência da forma japonesa (Suwisu), em vez da chinesa (Ruì xī). No entanto, em meados da década de 1960, adotou-se “Suwisu” (스위스), que também é utilizado na República da Coreia e se baseia no inglês “Swiss” (e não “Switzerland”, que significa literalmente “terra dos suíços”). Caso se optasse por imitar a pronúncia alemã, a forma seria “Syubaicheu” (슈바이츠), baseada em “Schweiz”, pronunciado “Shvaits”. “Suwisu” apareceu pela primeira vez no Anuário Central na edição de 1965.

Vocabulário da RPDC: Ontem e Hoje — 서반아 e 에스빠냐

Assim como no caso de Portugal, o nome para a Espanha na RPDC foi modificado, em meados da década de 1960, de um termo de origem chinesa para uma forma que imita a pronúncia nativa.

Inicialmente, utilizava-se “Sobana” (서반아), derivado do hanja “Xībānyá” (西班牙), mas o nome foi posteriormente alterado para “Esuppanya” (에스빠냐), com base na pronúncia espanhola de “España”. “Esuppanya” apareceu pela primeira vez no Anuário Central na edição de 1965. Na República da Coreia, utiliza-se “Supein” (스페인), forma baseada no inglês “Spain”.


 

Vocabulário da RPDC: Ontem e Hoje — 포도아 e 뽀르뚜갈

Trata-se de um caso interessante de abandono de um nome baseado no hanja em favor de uma adaptação do nome na língua nativa, ocorrido em meados da década de 1960.

Inicialmente, utilizava-se “Podoa-a” (포도아), derivado do hanja “Pútáoyá” (葡萄牙). Posteriormente, porém, adotou-se “Pporuttugal” (뽀르뚜갈), com base no nome “Portugal” na língua portuguesa. Trata-se também de um exemplo do uso característico de consoantes duplas (쌍자음) na RPDC. Na República da Coreia, utiliza-se “Porutugal” (포르투갈), que, embora soe semelhante ao português, baseia-se na pronúncia inglesa. “Pporuttugal” foi utilizado pela primeira vez no Anuário Central de 1965.


 

Vocabulário da RPDC: Ontem e Hoje — 불란서 e 프랑스

Esse é um caso interessante de mudança no nome de um país europeu, passando de uma forma derivada do hanja para outra baseada no idioma original, ocorrida já na década de 1960.

Inicialmente, utilizava-se 불란서 (Pullanso), derivado do hanja “Fú lán xī” (佛蘭西). No entanto, já em meados da década de 1960, a RPDC adotou “Purangsu” (프랑스), baseado no francês “France”, que também é utilizado na República da Coreia. “Purangsu” foi utilizado pela primeira vez no Anuário Central em 1965.

Vocabulário da RPDC: Ontem e Hoje — 오지리 e 오스트리아

Trata-se de mais uma mudança no nome de um país europeu, passando de uma forma baseada no hanja para uma versão inspirada no inglês. Inicialmente, utilizava-se “Ojiri” (오지리), derivado do hanja "Ào dìlì" (墺地利).

No entanto, durante o processo de modernização dos nomes — que envolveu a eliminação de substantivos próprios baseados no hanja, considerados desnecessários —, adotou-se, no final da década de 1990, a forma “Osuturia” (오스트리아), a mesma utilizada na República da Coreia. Esse nome apareceu pela primeira vez no Anuário Central na edição de 1999. Caso optasse por imitar a pronúncia original do país, poderia ser "Oesteraihi" (외스테라이히), do alemão "Österreich".

domingo, 22 de março de 2026

Vocabulário da RPDC: Ontem e Hoje — 웽그리아 e 마쟈르

Esse é mais um caso de mudança significativa no nome de um país. Até meados da década de 1990, na República Popular Democrática da Coreia utilizava-se 웽그리아 (Wengguria), derivado do russo Венгрия (Vengriya), enquanto na República da Coreia usava-se — e ainda se usa — 헝가리 (Honggari), derivado do inglês Hungary. Trata-se de um exemplo clássico da influência soviética na nomenclatura de países que integraram o bloco socialista.

No final da década de 1990, passou a ser introduzido o termo 마쟈르 (Magyaru), inspirado no nome do país em húngaro (Magyarország, “Terra dos Magiares”). O Anuário Central da RPDC registrou o uso de Magyaru pela primeira vez na edição de 1999.


sábado, 21 de março de 2026

Vocabulário da RPDC: Ontem e Hoje — 희랍 e 그리스

A mudança no nome da Grécia é mais um dos casos de substituição de um substantivo de origem chinesa por uma versão baseada no inglês, e não na língua original do país em questão.

Desde a fundação da República Popular Democrática da Coreia até a década de 1990, utilizava-se 희랍 (Huilab), uma adaptação da pronúncia chinesa “Xīlà” (希臘), baseada na transliteração.

A mudança para o atual “Kurisu”, também utilizado na República da Coreia, começou no final da década de 1990, tendo 그리스 aparecido pela primeira vez no Anuário Central publicado em 1999.

“Kurisu” baseia-se no inglês “Greece”, não adotando o nome da Grécia em grego (Ελλάς; Ellás) nem a pronúncia russa (Греция, Gretsiya).

Coincidentemente, já existia a palavra “그리스”, que significa graxa, gordura ou lubrificante.
 

sexta-feira, 20 de março de 2026

Vocabulário da RPDC: Ontem e Hoje — 분란 e 핀란드

O caso da Finlândia é interessante porque a mudança do nome ocorreu em meados da década de 1960. Para ser mais preciso, oficialmente, o nome 핀란드 (Pinlandu) passou a ser utilizado em 1965, como se pode verificar no Anuário Central publicado naquele ano.

O nome anterior era 분란 (Punran), derivado do hanja "芬蘭" (Fēnlán, na pronúncia chinesa), que, assim como no caso da Austrália, poderia gerar confusão por coincidir na pronúncia com outra palavra de origem sino-coreana, 분란 (紛亂), que significa "desordem" ou "caos".

Porém, "Pinrandu", ao contrário do caso de outros países citados em publicações anteriores, não foi uma tentativa de imitar o nome do país em sua língua nativa, que seria Suomi. Nesse caso, nem mesmo a pronúncia russa — que teve grande influência nos nomes de países na Coreia socialista, algo que explicarei posteriormente — é semelhante, sendo "Finlyandiya" (Финляндия). Trata-se de um dos casos de abandono do hanja em favor de uma aproximação fonética do inglês (Finland).

 

Vocabulário da RPDC: Ontem e Hoje — 독일 e 도이췰란드

Seguindo com a série de mudanças em substantivos próprios, temos o nome do país Alemanha, que passou por uma alteração significativa, gerando uma diferença clara entre o coreano dos dois lados da Península.

Inicialmente, utilizava-se 독일 (Tokil), palavra de origem sino-coreana (獨逸; Dúyì), presente na língua coreana há muito tempo. Contudo, chegou a existir na República da Coreia a forma 도이칠란트 (doichilandu) entre as décadas de 1970 e 1980, sendo usada com menor frequência em relação a 독일, então considerado o padrão para o nome do país europeu, mas que acabou se tornando obsoleta com o tempo.

Na República Popular Democrática da Coreia, a mudança ocorreu oficialmente no final da década de 1990, embora o termo já viesse sendo introduzido alguns anos antes. O anuário central utiliza 도이췰란드 (doichwilandu; do alemão Deutschland) pela primeira vez em 1999, mas há registros de materiais que já empregavam essa forma anteriormente, em meados da década de 1990. Foi também na transição de 1998 para 1999 que o nome 구라파 (Kurapa; transliteração do chinês e/ou do japonês 歐羅巴) foi oficialmente substituído por 유럽 (Yurop).

domingo, 15 de março de 2026

Vocabulário da RPDC: Ontem e Hoje — 호주 e 오스트랄리아

Como apontei na publicação anterior desta série sobre mudanças de substantivos próprios no vocabulário falado na República Popular Democrática da Coreia, houve mudanças significativas e graduais do início da década de 1990 até o começo dos anos 2000.

O caso dos nomes dos países é mais evidente. Embora a maioria não tenha mudado, as mudanças que ocorreram ficaram muito marcantes, principalmente na comparação com o coreano falado do outro lado da Península, que, ao mesmo tempo que mantém o hanja, possui muitas derivações da língua inglesa, imitando sua pronúncia, e não a pronúncia oficial do país em questão.

Escolhi a Austrália porque é um caso marcante. A diferença entre 호주 (Hoju) e 오스트랄리아 (Osuturalia) é muito grande. Além disso, foi um dos primeiros nomes de países a ser modificado na Coreia socialista.

No final da década de 1980, o substantivo "오스트랄리아" já era utilizado, consolidando-se na década de 1990. Mas há um motivo específico para isso. "Hoju" (호주), que vem do hanja "Háo zhōu" (濠洲), também pode significar "chefe de família" (do hanja 戶主) ou "amante do licor". Em especial, "chefe de família" é um vocabulário significativo na Coreia, aparecendo até os dias atuais em publicações oficiais norte-coreanas sobre temas relacionados. Isso, evidentemente, causa certa confusão. Imagine "호주의 호주" (chefe de família da Austrália)? Isso ainda é possível no sul, embora seja pouco comum.

O nome da Austrália não foi o único entre os derivados do hanja a ser modificado — mas falarei detalhadamente em outras publicações —, mas cabe destacar que Estados Unidos (미국), Japão (일본), Reino Unido (영국) e China (중국) permanecem intactos. O motivo para isso, resumidamente, parece estar relacionado ao peso histórico desses quatro países na história da Coreia, à semelhança de alguns deles com a pronúncia original (no idioma do país em questão) e também a questões de praticidade.

Em suma, "Osuturalia" é a pronúncia, no idioma coreano, semelhante a "Australia" do inglês, idioma do país da Oceania.

domingo, 8 de março de 2026

Vocabulário da RPDC: Ontem e Hoje — 회교 e 이슬람교

A palavra “islamismo” era chamada de forma diferente da atual 이슬람교 (i sulam gyo) até a década de 1990 na República Popular Democrática da Coreia.

Utilizava-se 회교 (hoegyo), uma palavra sino-coreana derivada do chinês 回教 (Huí jiào).

O último registro acessível em materiais norte-coreanos que utilizam a palavra 회교 data de fevereiro de 1992: 이란회교혁명승리 13돐에 즈음하여 연회 (Banquete comemorativo pelo 13º aniversário da vitória da Revolução Islâmica do Irã), artigo publicado pelo jornal Minju Joson.

Por exemplo, quando o ex-presidente — que posteriormente se tornaria Líder Supremo — do Irã, Ali Khamenei, visitou a RPDC em maio de 1989, as publicações norte-coreanas o anunciaram como 이란회교공화국 대통령 (Iran Hoegyo Gonghwaguk Detongnyong) — Presidente da República Islâmica do Irã.

Mas por qual razão a palavra hoegyo deixou de ser utilizada, dando lugar a isulamgyo?

Não há uma explicação oficial para essa mudança, mas existem algumas possíveis justificativas.

Pode-se considerar a hipótese de uma “modernização” terminológica da língua, já que Islam (inglês) e إسلام (árabe) tornaram-se amplamente difundidos em escala mundial. Entretanto, considerando que a RPDC nem sempre adota automaticamente tendências linguísticas internacionais, outra explicação parece mais plausível.

Ela está relacionada à própria origem histórica da palavra chinesa 回教 (Huí jiào).

Na realidade, esse termo se refere originalmente ao povo Hui da China, um grupo étnico majoritariamente muçulmano. Com o tempo, porém, passou a ser utilizado de forma generalizada para designar o islamismo como um todo, tanto na China quanto em outros países da região, por meio de suas variantes linguísticas.

Por essa razão, 회교 mostrou-se uma designação pouco precisa para a religião islâmica. Já 이슬람교, por aproximar-se da pronúncia árabe original, apresenta maior precisão e também se mostra mais compatível com uma postura linguística mais recente adotada pela Coreia socialista — a qual explicarei com mais detalhes em outras publicações — de valorizar a pronúncia original de substantivos próprios (고유명사).